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Intoxicação por produtos químicos em cães e gatos – O que fazer?

IMPORTANTE!

SE O SEU ANIMAL ESTÁ INTOXICADO NESTE MOMENTO, CORRA PARA O VETERINÁRIO (não para o Google!). O TEMPO QUE VOCÊ ESTÁ PERDENDO PROCURANDO O ANTIDOTO NA INTERNET PODE SER A DIFERENÇA ENTRE A VIDA E A MORTE DO SEU PET!

(Este post não irá receitar nenhum antídoto, apenas informar a conduta do proprietário no caso de uma intoxicação. Preventivo, não curativo. Deu pra entender ou quer que eu desenhe?)

Tudo explicadinho, vamos nesa…

Uma das grandes curiosidades que os cães compartilham com as crianças é sobre os produtos químicos…uma cor bonitinha, um cheirinho bom…hmmm….tem até de maçã!…..e quando você menos espera tão rolando pelo chão vomitando e botando as tripas pra fora. Nestas horas, a ação rápida por parte do proprietário pode fazer a diferença entre um cão vivo e um cão morto…

O post de hoje é muuuito venenoso…..então, coloquem suas máscaras de gás e acompanhem (cof cof cof…..coooof argh *morri*)

( e você achou não existiam máscara de gás pra cachorro, não é, gafanhoto? Este tipo de máscara foi usado pelos cães do exército americano durante a Segunda Guerra – Patrocinado pelo Momento PetCultural =P)

Desinfetante, óleo de motor, água sanitária (a Cândida ou Quiboa, dependendo de onde você mora), querosene, gasolina, vaselina….e tantas outras coisas venenosas que você provavelmente tem em casa… a ocorrência de casos de intoxicação em animais domésticos ainda é bastante comum na prática clínica. Todo veterinário já recebeu uma ligação com “doutor! Meu cachorro bebeu desinfetante…que que eu faço? Ai, jesus!”. Se o seu cão (ou gato)  foi envenenado, você precisa agir rápido (e com calma, criatura!), já que a intoxicação é, na maioria das vezes, de curso rápido e grave (podendo levar a morte num instantinho). Independente de o animal estar ou não apresentando sinais clínicos,  a intoxicação deve sempre ser tratada com emergência.

Os animais podem se intoxicar com plantas, alimentos, medicamentos…o escambau. Mas hoje irei tratar só das intoxicações por produtos químicos (produtos de limpeza principalmente), pro post não ficar muuuito quilométrico. A abordagem ao paciente intoxicado deve ser lógica e precisa…ou, como diria Jack – O Estripador, vamos por partes:

Parte I: O que fazer quando achar o animal intoxicado?

Você chega em casa, depois de trabalhar que nem um camelo o dia inteiro..encontra seu caozinho convulsionando e babando do lado de um vidro vazio de desinfetante (ou seja lá o que for). Como já diria o Chapolin: “muita hora nessa calma”. Pegue o rótulo do produto e ligue para o seu veterinário ou para o CCI (centro de controle de intoxicações) – o número fica ali mesmo no rótulo do produto.

Parte II: O que intoxicou seu animal?

Você viu o seu peludinho ingerindo um agente tóxico? O que foi? Nessa hora, lembre-se: não importa se o seu cachorro ingeriu óleo de bateria ou aquele lubrificante anal com cheirinho de rosas que você usa nas suas festinhas particulares. Fale sempre a verdade para o veterinário! Sabe aquela coisa de veritas vos liberabit? Pois é. O veterinário não te julga nem ri da sua cara! Fale sempre a verdade! Tenha sempre o rótulo do produto à mão quando ligar para o veterinário.

Parte III: Quanto do produto foi ingerido?

A intoxicação por produtos químicos é o que a gente chama de “dose-dependente”. Quanto maior a quantidade ingerida pior a situação. Se possível diga ao veterinário qual foi a quantidade ingerida.

Parte IVa: Procedimentos de emergência na ingestão

O primeiro procedimento, que você mesmo pode fazer em casa é induzir o vômito. Pra isso você pode utilizar:

  • Água oxigenada 3 vol. na dose de 1 a 3ml por cada kg de peso do animal: A água oxigenada provoca distensão da mucosa gástrica e, consequentemente vômito. Obs: nunca usar aquela água oxigenada 30 vol. que sua prima usa pra descolorir os pelos das pernas! Agua oxigenada com maior volume pode causar um agravamento da intoxicação e até ruptura estomacal. É no máximo 3 volumes (ou 3%) e fim.
  • Sal  ou água morna com bastante sal: Tanto faz admnistrar agua morna (morna, pelamor! Não vai me enfiar água fervente goela abaixo e queimar o cachorro!) ou colocar sal na base da língua do animal. O sal provoca irritação da mucosa e…vomito!
  • Detergente: Sim! O bom e velho Limpol que fica na pia da cozinha. Dê 1 ou 2 colheres de detergente diluidas em um copo de água. O mecanismo de ação é semelhante ao sal.
  • Xarope de Ipeca: Produto natureba utilizado pra induzir o vômito. Um must-have para os bulímicos aos redor do mundo (brincadeira! Não use xarope de Ipeca pra sustentar sua bulimia. O uso continuado causa degeneração do músculo cardíaco)

A indução de vômito só é eficaz se realizada até no máximo 1 hora depois da ingestão do toxicante e com muito cuidadinho na hora de se administrar os produtos liquidos. Use sempre a posição fisiológica do animal (como ele fica na hora de tomar agua), nada de virar o totó de barriga pra cima e dar mamadeira que nem neném!

Parte IVb: procedimentos de emergência em casos de intoxicação sem ingestão

Falei muito de ingestão e “engolição” de produto químico. Mas alguns agentes são extremamente tóxicos quando inalados ou ao ter contato com a pele (inseticidas por exemplo). Neste caso você vai:

  • Tirar o animal do ambiente contaminado
  • Lavar a região afetada com água corrente fria (“porque água fria? Meu totó é fresco e só toma banho de água morna!” A água quente causa dilatação dos vasos sanguíneos, que pode levar a distribuição mais rápida do toxicante no organismo. Água sempre fria! Por este mesmo motivo não fique massageando o animal. Só deixe a água escorrer.) Muito cuidado para não jogar o toxicante em áreas do corpo não afetadas! Em caso de animais muito peludos, pode ser recomendado cortar o pelo da região afetada. Deixar a agua corrente por uns 30 minutos
  • Se cair nos olhos, posicionar o animal em decúbito lateral (nossa forma chique de dizer  “deitar o cachorro de ladinho”) e lavar só o olho afetado, por 20 a 30 minutos.
  • Se a substância for oleosa, utilize sabão neutro ou detergente para quebrar as moléculas de gordura. Sempre neutro!

Parte V: Não provocar vômito se:

Algumas substâncias não devem ser expelidas por meio de vômito, pois podem lesar ainda mais a mucosa. Estas substâncias são:

  • Agente corrosivos: soda cáustica e outros agente muito ácidos ou muito alcalinos
  • Derivados de petróleo: querosene, gasolina, produtos a base de benzeno (pesticidas) e tolueno (tintas, vernizes, removedores), alcool e naftalina.

Parte VI: Levar o animal ao Hospital Veterinário mais próximo

Ou chamar o veterinário para estabilizar o animal em casa antes de transportar para o hospital, dependendo do estado do intoxicado. No hospital o animal vai ser estabilizado e, se necessário submetido a uma lavagem gástrica e desintoxicação por meio de fármacos e antídotos. Por isso é muito importante sabermos direitinho o que intoxicou o animal.

Parte VII: Internar e monitorar

“Meu cachorro tomou meio litro de querosene. Levei no hospital e o Dr. Fulano (ah! Ele é ótimo!) deixou no soro, fez lavagem gástrica, deu um tal de carvão ativado e em meia hora o Totó tava novinho! Posso levar pra casa?”

Não! O animal envenenado deve ficar em observação, pois alguns compostos químicos tem a propriedade sacana de se esconder no tecido adiposo e depois, quando você menos espera, voltar para a circulação e intoxicar o animal de novo. Sem choro nem vela, o animal só sai do hospital quando o veterinário mandar. E ponto final!

Parte final: preveniver, prevenir e……prevenir!

Como você viu, a abordagem do paciente envenenado não é mel na chupeta, nao! Às vezes, mesmo com toda essa ginástica o paciente não sobrevive (e nem adianta culpar o veterinário!). O melhor modo de curar uma intoxicação é não deixar que ela aconteça. Não deixe produtos químicos ao alcance do seu pet, ao fazer a limpeza da casa com produtos quimicos, deixe seu amigo bem trancadinho num local seguro e nunca pulverize inseticidas perto dele. Ter um animal de estimação é como ter um bebê: todo cuidado é pouco!

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