Guia prático de etiqueta para proprietários (ou: Livrando seu veterinário de chateações desnecessárias)

janeiro 24, 2010 :: Postado por - Mariana em Proprietário Animal!

Oi, pessoas! Dessa vez o post não é exatamente sobre nossos pets. Hoje o assunto é pra você, proprietário preocupado (às vezes até demais!), que está vivendo a situação desagradável de ter seu pet internado numa clínica/hospital. Na clínica é muito comum nos depararmos com proprietários dos mais variados tipos: desde o despreocupado que traz o animal em último caso e só depois da horário da novela, até o supermega protetor, que vai todo dia visitar seu pet pra ter certeza que ele está feliz e confortável.

Muitas vezes o excesso ou a falta de interesse do proprietário só serve pra aumentar ainda mais o problema o que, pode apostar, dá uma dor de cabeça danaaaaaada pro seu veterinário! Agora, você, proprietário responsável, vai saber tudo que rola por trás das cortinas da clínica e, com algumas dicas básicas, aprender a conviver melhor com o seu pet doente e o seu veterinário!

new-film-101

Vou contar um segredo: a parte mais difícil da medicina veterinária é o relacionamento com os proprietários. Não é assim nada muito raro o recepcionista ver o proprietário na rua e já chamar o veterinario correndo:”Dr.*insira_o_nome_do_ veterinário_ aqui*, o dono do Totó tá vindo” e o veterinário responde “ai meu Deus, dai-me paciência…!” enquanto abre a porta com um sorriso amarelo. Então, amante de pets, é hora de aprender a não ser um proprietário chato, sem porém, cair no risco de se tornar um proprietário desinteressado. Vamos lá!

1. Marque consulta!

Pensa só: você chega no médico, com aquela dor de barriga…aquele piriri de depois da feijoada com Fanta uva. A primeira pergunta da recepcionista é: “marcou hora?!” Sem hora marcada você corre o risco de: a) chegar e não encontrar seu veterinário; b) chegar e encontrar seu veterinário atendendo consultas com hora marcada e ficar um tempão esperando ou c)pagar mais caro, já que consulta sem hora marcada costumam ser mais caras. Marcando hora, seu vet’s tem mais tempo para se preparar para o atendimento, você já chega lá e já é atendido rapidinho evitando estresse pra você, pro seu animal e, claaaro, pro seu veterinário. Óbvio que emergências dispensam este passo.

2. Lembre-se que seu veterinário tem vida!

Eu sei que é dificil de acreditar, mas os veterinários conseguem respirar fora da clínica! Veterinário tem família, às vezes vai no cinema, às vezes faz até feira! Claro que, pra gente, nada é mais importante do que um animal precisando de socorro mas, ser acordado às 4 da manhã porque o cachorro  soltou um pum fedido demais ninguém merece! Esse tópico eu posso explicar com uma piada porca. Acompanhem:

Era uma vez, uma velhinha que criava dois Poodles. Um macho – o Tiquinho – e uma fêmea – a Fifi. Qualquer coisa estranha, D. Zefa já corria e ligava pro veterinário: “Doutooor! O Tiquiho espirrou! Que que eu faço?” “Doutor de Deus! A Fifi fez cocô mole e agora?!” e assim era, até que, numa certa noite, lá pelas 3 da madrugada a velhinha liga desesperada pra casa do veterinário: “Doutor! Me salve! O Tiquinho montou na Fifi e eu nao consigo separar de jeito nenhum! Que que eu faço? A Fifi é pura!”  o veterinário respira fundo e responde: “faz o seguinte, D. Zefa: coloca o telefone do lado deles e eu ligo aí. Eles param na hora.” Aí D. Zefa diz: Mas, doutor, tem certeza? Acho que não vai funcionar. Como um simples telefonema pode acabar com um trepada dessas?! ” e o veterinário responde: “Bom…aqui em casa funcionou…”

Então, antes de chatear seu veterinário durante a madrugada, lembre-se de que ele é um ser humano que também merece descanso. Certifique-se de que é realmente uma emergência que não pode esperar até de manhã ou até segunda-feira.

3. Não “espere pra ver se melhora”

Aqui também dá pra explicar com historinha. Esse caso aconteceu de verdade com um colega aqui na minha cidade e o diálogo foi exatamente assim:

Domingo, 2 da ‘madruga’, tá lá Dr. Fulano (todos os nomes foram modificados para garantir a privacidade dos indivíduos envolvidos – hah! Sempre quis escrever isso!) dormindo, quando o telefone toca. Do outro lado, um proprietário desesperado chorando: “Dr. Fulano, socorro! Cheguei em casa agora e meu cachorro não tá mais respirando!” O Dr. Fulano pergunta:” Seu cachorro não tá mais respirando?  Como assim?” resposta:”Ô, doutor (chuif), desde a semana passada ele tava meio pra baixo, sabe? Vomitando, comendo pouco… (chuif) Aí fi quei esperando pra ver se melhorava e como não melhorou, ia levar ele na clínica amanhã de manhã (chuif), mas cheguei agora e ele tá duro e não tá respirando mais (chuif). Que que o senhor pode fazer por ele, doutor?” e o Dr. Fulano: “Xô ver se eu entendi: Você chegou em casa, seu cachorro tá duro e não tá mais respirando e você quer saber o que eu posso fazer por ele?!” “É doutor. O que o senhor pode fazer pelo meu Spike?!” e o Dr. Fulano responde: “Agora, só sessão espírita…”

Então, pessoas, pelo amor de seu pet! Não “espere pra ver se ele fica melhor”! Leve na clínica ao primeiro sinal de febre, vômito, apatia, anorexia…! “Epa! Mas peraí! Você não falou que era pra gente ter certeza que era uma emergência antes de correr pro veterinário?!” Não. Eu disse para se certificar que é uma emergência antes de ligar fora do horário do expediente para o seu veterinário! Mas assim que você perceber algo errado com seu pet, marque uma consulta o mais rápido possível! Muitas vezes, quando o proprietário demora muito pra levar o animal para uma consulta, quando ele finalmente é consultado não há mais nada que possamos fazer ou, como no caso do Dr. Fulano, só sessão espirita mesmo, pra ver se ainda dá tempo de se comunicar com a alma do pobre pet.

4. Diga sempre a verdade.

Você com certeza já assistiu Dr. House (se não, assita que vale muuuuito a pena!). Uma coisa que o House fala em todo episódio é: “todos os pacientes mentem”. Com a gente é parecido: “todo proprietário mente“. Vai desde o “ele tava bonzinho ontem” – que fala o dono do cachorro caquético e desnutrido – ao “não sei não Doutor. Ele nunca comeu nada estranho” – que diz o dono que confundiu a vitamina do cachorro com o veneno de rato. Aqui também tem historinha e, mais uma vez, aconteceu lá com o Dr. Fulano quando uma amiga minha estava estagiando com ele (o Dr. Fulano ou tem uma vida bastante agtada na clínica dele ou é um mentiroso de primeira – que nem eu…):

Chega o dono do Fila, 60kg, lindo (o cachorro, não o dono!)com um pusta rombo na cabeça. Todo mundo tinha certeza absoluta que aquele animal tinha levado uma paulada. dr. Fulano pergunta: “Que que aconteceu com esse cachorro?” e o dono responde:”ah, Doutor, eu cheguei em casa ontem ele veio me receber correndo e bateu a cabeça no portão de grade.”. Mentira esfarrapada, óbvio. Dr. Fulano examina o cachorro (sem o dono) e constata que o cara tá mentindo. Um cachorro nunca bateria a própria cabeça por acidente com tanta força. Ele vai na sala de espera e diz pro dono:”Seguinte. Ali no meu consultório tem um representante da Associação de Proteção aos Animais.(Isso era mentira. Mas se o proprietário mente a gente também pode!) O seu cachorro foi vítima de maus-tratos e se você não me contar o que aconteceu, nós vamos ligar pra polícia e você vai em cana.” O dono fica desesperado e responde:” Não, Doutor! Por favor! A verdade é que eu cheguei em casa de madrugada ontem, tinha bebido umas, me assustei com o cachorro e dei uma paulada na cabeça dele. Mas por favor, não conta pra minha esposa senão ela me mata!”

Não preciso nem dizer que se nós soubermos exatamente o que estamos tratando, o tratamento é mais rápido e eficaz, né? Por isso, sempre diga a verdade para o veterinário, por pior que ela seja. Seu veterinário nunca irá te julgar, ou, pelo menos, não até que seu animal esteja curado.

5. Visitando seu pet internado: O que fazer? O que não fazer?

  • 5.1 – Respeite o horário de visitas! Mais um segredo: muitas vezes, lá no fundo da clínica nós fazemos alguns procedimentos médicos não muito agradáveis de se ver. Muitas vezes o animal não colabora, então precisamos utilizar focinheiras, prende-lo no cambão, imobilizá-lo e por aí vai. Muitos procedimentos machucam (mas não o suficiente pra correr o risco de se utilizar uma anestesia), sangram, cheiram mal… imagine só você indo visitar seu pet, todo alegre e saltitante, e se deparar com seu amigo peludo no soro, com 4 estagiários segurando (cada um uma pata) enquanto o veterinário tenta fazer uma punção de medula no esterno (procedimento doloroso, é verdade. Mas  mais seguro sem anestesia) e seu cachorro gritando e tentando morder. Visão do inferno não é? Aparecendo só nos horários de visita você evita de encontrar seu pet sendo submetido a exames desconfortáveis e vai sempre encontrar a gaiolinha e o animal limpos. (Não que a gente deixe eles sujos!! Mas cachorro sempre faz cocô na gaiolinha e pisa em cima…!). Isso sem contar que você ainda não corre risco de atrapalhar a rotina da clínica. Caso a clínica não tenha um horário de visitas estipulado, ligue antes de aparecer ou já combine com o veterinário os dias e horários em que irá visitar seu mascote.
  • 5.2 Não leve animais na visita! Isso eu vi acontecendo outro dia. A dona veio visitar o cachorrinho internado e levou o irmãozinho dele. A primeira coisa que fez, foi botar os dois pra se cheirarem. O animal internado estava com cinomose. Uns 4~5 dias depois o irmão foi internado com os mesmos sintomas. Mesmo que o cão que você vai visitar não esteja com uma doença infecciosa, nunca leve outro animal, pois seu pet não é o unico na clínica e o “visitante” pode correr o risco de se infectar com uma doença de outro cão. Mesmo que os animais com doenças infecciosas estejam em um canil separado, levar um animal saudável para o alojamento de internação é sempre um risco.
  • 5.3 Não respire perto, não cheire e principalmente não beije animais internados! Essa eu também vi semana passada. A dona chega pra visitar o filhotinho que está com cinomose (estamos com epidemia de cinomose aqui…). Logo que encontra seu ‘bebê’ ela ja vai correndo colocar o rosto perto do filhote pra que ele possa lamber o nariz da dona enquanto ela dá beijos na cabecinha dele. Detalhe que o cachorrinho estava sujo remelento e catarrento. Gente!! Primeiro: não se beija animal (principalmente na boca). Isso além de anti-higiênico (cara, o cachorro tava com catarro até na ponta do rabo! Nojento mesmo!) pode tansmitir patógenos de você pro animal e vice-versa. Segundo: O animalzinho na clínica já está debilitado o suficiente sem você passando germes adicionais pro sistema imune dele combater. Se na sua casa é costume dar beijo nos animais, tome um vermífugo a cada 6 meses, escove os dentes do seu animal e seja feliz. Mas na clínica não pode! Lá é local de recuperação e não de maior contaminação.
  • 5.4 Leve lembranças de casa! Se o seu animalzinho vai ficar um bom tempo internado, deixe uma toalha, almofadinha ou brinquedos trazidos de casa, pra que ele não se sinta abandonado. Só não vale encher o canil de tranqueira! A ração, se possível, traga de casa também (exceto se o seu veterinário disser o contrário). Ou, se clínica possuir pet-shop, compre um pacote da mesma ração que seu animal já é acostumado para que ele continue com a mesma dieta e sinta menos o impacto de estar em outro ambiente.
  • 5.5 Não telefone ‘para’ o seu cachorro! Tem gente que não acredita, mas isso realmente acontece. O dono liga e pede pra falar com o cachorro! “Oi, leva o telefone pro Toby, por favor. Quero conversar com ele.” Primeiro: o dono comunicativo ali está ocupando o telefone da clínica com besteiras, enquanto alguém com uma emergência pode estar precisando conversar com o veterinário. Segundo: o cachorro não faz a minia idéia do que seja um telefone. Pra ele a voz do dono está vindo do além e ele não entende lhufas. Resltado: o cachorro fica histérico, aumentam batimentos cardíacos, aumenta pressão, ele se enrola no equipo do soro, derruba o soro e estoura  a veia. Quem tem que cuidar do cachorro histérico? Pois é….! Se vem visitar, visite. Se não vem, não venha. Telefonemas pro cachorro não, por favor.
  • 5.6 Não traga petiscos de casa! O animal internado fica em dieta especial (ração de costume + ração especial + vitaminas + suplementos necessários). Comida diferente trazida de casa (petiscos, frutas, frango frito com farofa…) pode dar um desarranjo intestnal e atrapalhar ainda mais a recuperação do seu pet. É o mesmo de você estar internado num hospital, com alimentação balanceada, e pedir uma pizza na Pizza Hut da esquina.

Não é muito complicado é? Seguindo essas pequenas dicas você vai contribuir para que o tratamento do seu animal sejá mais rápido, mais eficiente e com o mínimo de dores de cabeça pra você, pro seu veterinário e pro seu pet.

Com um pouco de atenção e bom-senso qualquer um vira Proprietário Exemplo – o melhor amigo do cão e do veterinário!

solutions-for-pet-care



Gostou do post? Clique aqui e me pague uma cerveja!

Tags: , , , , , , , , ,

Compartilhe:


Comentários:

blog comments powered by Disqus