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Epilepsia em cães e gatos – o que fazer, meu Deus?!

Uma coisa que eu sempre achei engraçado, que acontece mesmo na faculdade, é quando a gente ouve falar de doenças que são bastante conhecidas pelas pessoas – como diabetes, pneumonia, epilepsia…. – e vem alguém e pergunta espantado “e cachorro tem isso?!”

Se você tem um animalzinho epilético já sabe como é. Se nunca viu, é uma boa oportunidade de conhecer mais, sobre essa doença tão comum e tão….assustadora!! (brrr!)

E respira fundo…que o post é grande!

“eu tenho fé em que iremos achar a cura da epilepsia” – será?

Pra começar, devemos saber reconhecer o que é a epilepsia.

“Ah! É quando o bicho fica se estrebuchando no chão, virando os olhos e babando!! Certo?”

Errado! Isso é chamado de convulsão, que é uma descarga elétrica repentina e excessiva dos neurônios que ficam no córtex cerebral. A epilepsia é uma doença caracterizada por convulsões recorrentes, ou seja, uma convulsão é uma convulsão, mas uma convulsão por dia/semana/mês… caracteriza a epilepsia.

Então, gafanhotos, é hora de aprendermos a identificar uma convulsão. E o mais importante, identificar o que não é uma convulsão.

Um engano que a gente encontra muitas vezes, por parte do proprietário, é achar que tudo é convulsão. “Meu cachorro caiu no chão, é convulsão!”. Nem sempre. É importante a gente saber que rola uma diferença entre a convulsão e uma síncope. Quando o animal cai (tipo morto) e depois levanta e sai andando tranqüilo não é uma convulsão. Isso é chamado síncope…e não tem lhufas a ver com epilepsia.

A epilepsia é muito mais complexa…não é só cair no chão e voltar a vida, que nem Jesus Cristo de quatro patas, dois minutos depois!

“Então! A convulsão não é quando o bicho fica se estrebuchando no chão, virando os olhos e babando?”

Hm…não necessariamente. Os sinais apresentados na crise têm relação com a área do cérebro que recebeu a descarga elétrica excessiva. A convulsão pode envolver uns poucos neurônios, um único hemisfério ou o cérebro como um todo. Claro que quanto maior a área pior vai ser a crise.

Não vou ficar aqui explicando cada um dos tipos e subtipos de convulsão porque senão ninguém vai agüentar ler! O que nos interessa aqui é identificar um caso de epilepsia, uma convulsão, o que fazer…e o mais importante: como conviver com um amigo peludo epilético (Ou epiléptico – na verdade tanto faz, cada hora eu escrevo de um jeito. Me desculpem por isso…).

O animalzinho não vai, necessariamente, “se estrebuchar no chão, virando os olhos e babando”. Quando a convulsão atinge uma pequena área as manifestações físicas costumam ser beeeem discretinhas, como o animal ficar “caçando moscas invisíveis” (mordendo o ar), se lambendo compulsivamente, ficar contraindo os músculos de forma rítmica (às vezes as patas, às vezes o pescoço, a boca, sei la…)… sem perda de consciência.

Numa convulsão que atinge o cérebro todo, quase sempre encontramos perda de consciência, seguida por distúrbios musculares. O Animalzinho pode ficar com todos os músculos rígidos e duros ou totalmente flácidos (a gente chama isso de perda do tônus muscular)…. ou ainda apresentar contrações musculares rítmicas, que caracterizam a famooooosa convulsão generalizada tônico-clônica… aquela em que “o bicho fica se estrebuchando no chão, virando os olhos e babando”.

Meu pet teve uma única convulsão, dessas feias, há um ano atrás, mas depois disso nada mais aconteceu. Ele é epiléptico?

Não. A convulsão pode ser desencadeada por vários fatores, entre eles, substâncias tóxicas, choques (não deixe seu cachorro brincar com garfos perto de tomadas!), traumas…. sem que isso signifique que seu bichinho seja epiléptico. Importante observar que um animal não epiléptico pode vir a desenvolver a epilepsia após um trauma.

Meu cachorro/gato é epiléptico. Como posso saber quando ele vai ter uma convulsão?

Os animais (assim como as pessoas) sentem quando a crise se aproxima. Isso é chamado de “aura” (que não tem nada a ver com a cor da alma e essas coisas zen malucas…) ou, no caso específico da convulsão, de “pré-icto” (que eu sempre achei que seria uma coisa mais a ver com peixes do que com convulsão, mas fazer o que? Não sou eu que decido os nomes….). Quando o animal percebe que “algo vai acontecer” ele procura se esconder (embaixo da cama é sempre a melhor opção!), alguns ficam junto do proprietário, alguns correm sem motivo, outros ficam “pirados” (o cachorro bravo fica mansinho que nem uma cenoura cozida, enquanto que o poodle xodó da vovó vira um demônio do além, que morde até as pernas da mesa). Por isso, fique sempre atento às alterações comportamentais do seu amigo!

Meu pet não é epiléptico mas, mês passado, foi atropelado pelo vizinho. Hoje ele teve uma convulsão. Isso é normal?

Sim. Se ele teve um trauma ma cabeça é possível que tenha havido uma inflamação local, que alterou as propriedades dos neurônios permanentemente. A primeira convulsão pode aparecer em até 4 semanas após o trauma por isso, mesmo que pareça não ter nada a ver, sempre relate com detalhes a vida do seu pet para o veterinário! Quanto mais a gente sabe, mais fácil a gente cura =D

É muito importante que, quando o seu pet for levado ao veterinário após uma crise convulsiva, seja determinada qual a causa da convulsão e só assim sugerido um tratamento ou não.

Como assim “ou não?!”

O tratamento com anticonvulsivantes só é indicado para animais com crises frequentes e intensas. Se o cão tiver menos de 1 convulsão a cada 6 semanas e o gato tiver crises com frequência menor do que 4 por ano (a crise no gato é muito mais intensa), não vale a pena tratar, já que o tratamento não “cura” a epilepsia.

Durante a crise, o que eu faço? Fico ali perdido sem saber como ajudar…

Não há muita coisa que se possa fazer. Você pode intervir com medicamentos – se o veterinário recomendar! – Ou só ficar de olho para evitar que o animal morda a língua ou se engasgue com ela. A crise não deve durar mais de 2~3 minutos.

2~3 minutos? Meu cachorro convulsionou por quase meia hora!

Isso é o que a gente chama de estado epiléptico. É uma emergência e o proprietário tem que saber intervir o mais rápido possível, sempre com medicamentos prescritos pelo veterinário. É feio se ver. É horrível. Mas nessa, hora, cabeça fria… você tem que ser rápido, porque uma crise dessas pode levar seu amigo peludo direto pro céu dos cachorros, sem direito a escala no limbo. Informe seu veterinário o mais rápido possível no caso de ocorrência de uma crise longa ou várias crises em curtos intervalos de tempo!

Bom…Se o seu pet foi diagnosticado com epilepsia e o veterinário indicou a terapia medicamentosa (que, não. Eu não vou dizer qual é, porque sempre tem um maluco que vai querer aplicar por conta própria no pobre animalzinho, matar o bicho e dizer que a culpa foi minha!), se prepare para um tratamento rígido e dispendioso ( “dispendioso” sai mais bonito do que falar “caro” ou “os zóio da cara”, né?). O veterinário irá te ensinar como agir em caso de crises ou estados epilépticos, utilizando os anticonvulsivantes.

Como a cura é praticamente impossível, seu pet estará fadado a tomar anticonvulsivantes pro resto da vida, sempre respeitando rigorosamente os horários e doses, e a visitar o veterinário com freqüência (nunca, jamais, em hipótese alguma, ache que “tá tudo bem e não precisa voltar ao veterinário”! Esse pensamento mata mais cachorro que restaurante coreano!).

Comecei com o anticonvulsivante ontem…e não adiantou nada! Meu gato/cachorro teve outra convulsão hoje de manhã!

Hm…nós trabalhamos com remédios e não com milagres. Os anticonvulsivantes podem levar até duas semanas para fazer efeito. Se após esse período o seu pet ainda tiver crises freqüentes, leve ao veterinário para que ele possa ajustar a dose ou trocar o remédio.

Depois de tudo isso, parece até estranho dizer, mas o animal epiléptico pode levar uma vida quase normal. Se possível, deve ficar longe de fatores que iniciem uma crise (às vezes a gente pode determinar o que causa a convulsão. Podem ser sons, luzes, cheiros..). É importante que você, como proprietário de um animalzinho especial, respeite os medicamentos, as datas das consultas, siga sempre as instruções do veterinário e esteja, sempre que possível, ao lado do seu melhor amigo quando ele precisar.

A epilepsia é uma doença séria e o animalzinho epiléptico deve ser tratado com muito carinho. Não “deixe pra depois”, não “espere pra ver se piora”. Ao primeiro sinal de que algo-está-errado, leve seu amigo para um profissional. =]

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